domingo, 8 de janeiro de 2012

Segundo médicos, Hawking viveria poucos anos; hoje ele faz 70

Hawking experimenta a sensação de gravidade zero durante voo da Nasa, em 2007. Foto: AP
Hawking experimenta a sensação de gravidade zero durante voo da Nasa, em 2007



MATHEUS PESSEL
Aos 17 anos, então na Universidade de Oxford, Stephen Hawking começou pela primeira vez a se interessar por esportes e se aventurou no remo. Após três anos, ele começou a se sentir mais "atrapalhado" e caía facilmente - aparentemente sem razão. Aos 21 anos, quando já era pesquisador na Universidade de Cambridge, seu pai decidiu leva-lo ao médico da família, que, por sua vez, o encaminhou a um especialista. Hawking passou por exames em um hospital e os médicos disseram que seu caso era incomum, sem cura e que tenderia a piorar com o tempo. Era a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que tirou ao longo dos anos seus movimentos.
O físico ganhou prestígio no mundo acadêmico devido a suas pesquisas sobre o Big Bang (que deram suporte à teoria) e, principalmente, suas teorias sobre os buracos negros - que explicam entre outras coisas, como esses fenômenos emitem radiação (chamada hoje de radiação Hawking). Ao grande público, Hawking apareceu a partir de livros que explicam as principais teorias físicas e participações em séries de TV. Neste domingo, ele completa 70 anos de idade.
Ao receber o diagnóstico da doença, Hawking ouviu dos médicos que ele teria apenas dois anos de vida pela frente. O físico disse que foi um choque. Ele não teria tempo sequer de terminar sua pesquisa de doutorado. O máximo que poderia fazer para combater a doença era tomar algumas vitaminas.
Em seu site pessoal, Hawking relata o que pensava na época: "Como pôde isso acontecer comigo? Como eu posso terminar assim?". Mas foi ainda no hospital que ele mudou. "No entanto, enquanto eu estava no hospital, eu tinha visto um menino que eu conhecia vagamente morrer de leucemia, na cama ao lado da minha. Não foi uma boa visão. Claramente, havia pessoas que estavam em situação pior do que a minha. Pelo menos, a minha condição não me fazia sentir doente. Sempre que me sinto inclinado a sentir pena de mim mesmo, eu me lembro daquele menino", diz. Hawking diz que sua vida antes da doença era muito chata. Mas depois que foi diagnosticado, decidiu fazer algo bom antes de morrer. "Mas eu não morri. Na verdade, apesar de haver uma nuvem escondendo o meu futuro, eu descobri, para a minha surpresa, que eu estava gostando da vida mais do que antes. Eu fazia progresso na minha pesquisa, e eu fiquei noivo de uma garota chamada Jane Wilde". Hawking se separou e casou novamente. Ele tem três filhos e três netos.
A doença
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) se origina de uma predisposição genética, como Parkinson ou Alzheimer, e afeta a medula espinhal - o resultado é a falta de força. "É um problema que afeta os movimentos, a força. E os músculos começam a atrofiar, inclusive os músculos que precisamos para respirar (...) chega um momento que o pulmão não inspira mais, e é necessária respiração artificial", diz Pedro Schestatsky, professor da pós-graduação de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador de distúrbios do movimento. Os pacientes, afirma o professor, morrem por insuficiência respiratória. O mal é incurável.
"É cada vez mais comum (pacientes que sobrevivem mais tempo à doença) porque houve muito desenvolvimento de aparatos respiratórios. Houve desenvolvimento também de medicamentos que retardam a doença. Mas (quando Hawking foi diagnosticado) não havia remédio e não tinha a respiração (mecânica)", diz Schestatsky.
No caso de Hawking, afirma o professor, surpreende ainda o fato de ele ter desenvolvido a doença muito jovem, com 21 anos - a maior parte dos pacientes apresenta sintomas após os 50 anos. O médico afirma que o britânico tinha uma ELA de lenta evolução, o que o ajudou a sobreviver.
Enfrentando a doença
O físico diz que até 1974 ele conseguiu se alimentar e sair da cama sozinho, mas a coisa começou a piorar. Em 1985, ele sofreu com uma pneumonia que o levou a uma traqueostomia e à perda da fala. Sua condição piorou e começou a receber ajuda de enfermeiras 24 horas por dia, graças ao apoio de fundações que conheciam seu caso.
Hawking conta que antes da operação sua fala estava ficando pior e somente as pessoas mais próximas ainda conseguiam entendê-lo. Ele produzia artigos ditando para sua secretária e proferia palestras com a ajuda de um "tradutor" que repetia suas palavras mais claramente.
Uma nova voz
Foi um especialista em computadores da Califórnia, Walt Woltosz, quem levou a solução ao britânico. Woltosz enviou à Inglaterra um programa de computador que ele havia criado. O software sintetiza voz a partir de palavras selecionadas em uma tela, simplesmente piscando o olho. David Mason, de Cambridge, adaptou o sistema a um computador portátil acoplado à cadeira de rodas de Hawking.
O pesquisador diz que a mudança o permitiu falar melhor do que antes da operação. "Eu posso controlar até 15 palavras por minuto. Eu posso falar o que escrevi, ou salvar em disco. Posso, então, imprimir, ou usar o que ficou para trás e falá-lo (o texto) frase por frase. Usando este sistema, eu escrevi um livro e dezenas de artigos científicos. Eu também tenho dado muitas palestras científicas e populares. Todas elas foram bem recebidas."
Fama
Hawking recebeu prêmios e medalhas durante toda a carreira, que começou com defesas da teoria do Big Bang e continuou com estudos sobre os buracos negros. Entre 1979 e 2009, ocupou a cadeira lucasiana - que já foi de Isaac Newton e de Paul Dirac - de Cambridge (a tradição de Cambridge manda que o ocupante deixe esse posto antes dos 67 anos). Ele continua ativo nas pesquisas no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e é diretor de pesquisa do Centro de Cosmologia Teórica, criado pelo próprio Hawking.
Em 1988, Hawking lançou seu primeiro livro para o público em geral, em parceiro com o pesquisador do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) Leonard Mlodinow: Uma breve história do tempo. O sucesso foi enorme e levou a uma série de livros populares escritos por Hawking, alguns em parceria com Mlodinow.
Hoje, Hawking certamente é o cientista mais famoso do planeta. Um documentário do Channel 4 mostra pilhas de cartas que ele recebe de fãs, muitas com teorias que vão de viagens no tempo a invasões alienígenas. Em um programa da também britânica BBC, o teórico é chamado de personalidade global. "Ele é uma das pessoas mais famosas do planeta. Talvez o único verdadeiro cientista celebridade", diz a TV, enquanto mostra ruas cheias durante uma passagem do físico em uma universidade espanhola.
Hawking se tornou tão pop que apareceu em seriados de TV - como Os Simpsons e Star Trek: The Next Generation (Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, no Brasil).
"Ele é um especialista que sabe comunicar, uma coisa que outros especialistas não conseguem ou não se interessam - em saber comunicar. Mesmo que não seja algo deliberado", diz Lígia Campos de Cerqueira Lana, pesquisadora de doutorado sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
"Ele sabe o que fala. E ele também tem talento. É uma diferença que tem com esses personagens públicos que aparecem e somem. (...) Eles são descartáveis, é como se eles não tivessem talento suficiente para permanecer. O Stephen Hawking está ali porque ele tem talento", afirma a pesquisadora.
"Uma terceira coisa (que explica sua fama): ele é um modelo de superação. Apesar de estar imobilizado, de ter uma série de dificuldades, ele supera isso e consegue continuar trabalhando. Uma das coisas que buscamos no personagem público é o reconhecimento (...) é como se quando a gente olhasse para uma figura pública, a gente buscasse alguns modelos que sejam conhecíveis para nós como sendo algo potencialmente bons", diz Lígia, que pesquisa como as celebridades ascendem à fama.
"O Stephen Hawking, do jeito dele, não é só como uma bunda grande, só uma voz bonita. Ele está numa cadeira de rodas, não consegue falar direito, mas tem uma presença midiática", afirma.
Para Lígia, a existência de um cientista celebridade é muito importante, pois abre portas para que outros pesquisadores levem a ciência ao grande público. "O sucesso de um especialista é muito positivo. Os cientistas não podem ter medo de falar com as pessoas. A ciência tem que voltar para o senso comum, não pode ficar na torre de marfim dos laboratórios", diz a pesquisadora.

Stephen Hawking completa 70 anos dedicados ao universo

O cientista britânico Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do Tempoque passou a vida tentando desvendar os mistérios do universo, completa neste domingo 70 anos sem ter perdido o entusiasmo pelo cosmos.
Apesar de em 2009 ter se retirado da Cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge, da qual era titular, da mesma forma que Isaac Newton foi um dia, Hawking mantém contato com o mundo científico e amanhã falará perante seus colegas desse centro de estudos sobre "O estado do universo".
Nascido em Oxford, no sul da Inglaterra, no dia 8 de janeiro de 1942, Hawking é um exemplo do triunfo frente à adversidade já que em sua juventude foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença neurodegenerativa progressiva que lhe impede de se movimentar, e fala com a ajuda de um sintetizador de voz.
Ao longo do tempo, Hawking foi perdendo o movimento de suas extremidades e da musculatura, inclusive a força do pescoço para manter-se com a cabeça erguida.
Por ocasião do aniversário de Hawking, o professor Martin Rees, astrônomo do Trinity College de Cambridge, disse que quando conheceu o cientista os dois eram estudantes e pensava que seu companheiro não viveria muito mais por conta de sua doença.
"Foi incrível, chegou aos 70 anos, se transformou sem dúvida no cientista mais famoso do mundo, aclamado por pesquisas brilhantes, por seus livros mais vendidos e, principalmente, por seu incrível triunfo frente à adversidade", afirmou Rees aos meios de comunicação britânicos.
Além de ser considerado um dos cientistas mais renomados, Hawking é tão famoso como qualquer estrela da música ou do cinema, pois participou de um episódio da série de televisão Star Trek e emprestou sua voz para um comercial da empresa de telecomunicações BT.
Mas é famoso principalmente por ter mostrado, ao lado de seu colega Roger Penrose, que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein implica que o espaço e o tempo hão de ter um princípio, o chamado "Big Bang", e um final dentro dos buracos negros.
Hawking também criou polêmica no campo religioso por acreditar que a ideia do paraíso e da vida depois da morte é um "conto de fadas" criado por gente que tem medo da morte.
Em declarações dadas no ano passado, o cientista enfatizou sua rejeição às crenças religiosas e considerou que não existe nada depois do momento que o cérebro para de funcionar.
"Eu considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando falharem suas peças. Não há paraíso ou vida depois da morte para os computadores que param de funcionar, esse é um conto de fadas de gente que tem medo da escuridão", disse o cientista de Cambridge.
Além disso, Hawking afirmou várias vezes que não tem medo da morte. "Vivi com a perspectiva de uma morte prematura durante os últimos anos. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa de morrer. Quero fazer muita coisa antes", declarou.
Também nestes dias voltou a ser notícia ao revelar em entrevista à revista New Scientist que as mulheres são "um completo mistério" ao qual dedica a maior parte de seus pensamentos.
Hawking foi agraciado com a Ordem do Império Britânico em 1982 e com o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia em 1989, além de outras distinções que lhe foram concedidas ao longo dos anos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Pesquisadores desenvolvem formigas 'supersoldados'

Tratamentos hormonais durante um período específico do desenvolvimento de larvas transforma formigas em supersoldados . Foto: Alex Wild /BBC Brasil


Formigas podem ser programadas com tratamentos hormonais para se transformarem em "supersoldados", indicam pesquisas feitas por uma equipe internacional de cientistas, que creem que as descobertas podem dar novos rumos para os estudos da evolução. Todas as colônias de formigas são feitas de membros de diversas "castas", incluindo soldados e operários. O que os pesquisadores descobriram é que é possível "convencer" as larvas de formigas a, quando crescerem, se converterem em parte de uma rara casta de supersoldados.
O estudo, publicado na revista Science e liderado pelo pesquisador Ehab Abouheif, da Universidade McGill (Canadá), descobriu que tratamentos hormonais durante um período específico do desenvolvimento dessas larvas resultam em formigas supersoldados gigantes. Os cientistas conseguiram esse resultado em duas espécies de formigas que naturalmente não têm a casta de supersoldados como parte de sua colônia.
Proteger as colônias
Abouheif e sua equipe estudaram as formigas Pheidole, um grande grupo de mais de mil espécies correlatas. Desses grupos, há apenas oito que têm entre seus membros os chamados supersoldados, que ajudam a proteger a colônia usando suas enormes cabeças para bloquear a entrada de invasores.
A ideia de tentar "programar" formigas em desenvolvimento para se tornarem grandes soldados nasceu quando Abouheif percebeu que outra espécie comum de Pheidole, ainda que não tivesse supersoldados entre seus membros, possuía integrantes dotados de cabeças estranhamente grandes.
"Estávamos coletando (formigas) de Long Island, em Nova York, e percebemos algumas com uma aparência monstruosa", disse o cientista. Essas formigas de aparência mutante se assemelhavam a uma casta rara de supersoldados de uma espécie correlata. Por conta disso, os cientistas se dispuseram a descobrir o que fez com que ganhassem tal forma.
Abouheif explica que, quando uma formiga rainha bota ovos, cada um deles pode se desenvolver em uma casta diferente, dependendo das condições de temperatura e alimentação a que são submetidos. A chave para "transformá-los" em uma casta específica depende, em grande parte, de um componente químico dos ovos, o chamado hormônio juvenil.
"Sendo assim, se você trata qualquer espécie no momento certo de seu desenvolvimento, com apenas um hormônio, pode induzir o desenvolvimento de uma supersoldado", diz o cientista.
Forma ancestral
Para ele, "o fato de que se possa induzir isso em todas essas espécies diferentes (que não têm naturalmente a casta de supersoldados) significa que um ancestral comum de todas essas espécies tinha (supersoldados)". Abouheif diz que a descoberta pode ter amplas implicações na forma como os cientistas veem e estudam o processo evolutivo.
Para ele, destravar características evolutivas ancestrais pode ajudar no desenvolvimento de plantas com maior valor nutricional e até mesmo encontrar mecanismos que ajudem no combate de doenças. "Quem sabe o crescimento de um câncer seja a liberação de algum potencial ancestral", questionou Abouheif. "Se conseguirmos descobrir isso, talvez possamos revertê-lo."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A partir dos 45 anos, capacidade do cérebro apresenta queda

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) francês e da University College de Londres, a capacidade cognitiva do cérebro começa a diminuir a partir dos 45 anos.


De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) francês e da University College de Londres, a capacidade cognitiva do cérebro começa a diminuir a partir dos 45 anos.
O estudo, com duração de 10 anos, foi realizado com 5198 homens e 2192 mulheres, de idades entre 45 e 70 anos. Neste período, os pacientes tiveram total acompanhamento médico e também exames individuais.
Como resultado, os pesquisadores concluíram que o raciocínio dos homens teve uma queda de rendimento de 3,6% entre 45 e 49 anos e, aqueles com idade entre 65 e 70 anos a queda foi mais expressiva, ficou em 9,6%. As mulheres, por sua vez, obtiveram o mesmo desempenho que o sexo oposto na primeira faixa etária, já entre 65 e 70 anos, foi registrado uma queda da capacidade do cérebro em 7,4%.
O Inserm disse que essa pesquisa foi muito importante, pois sabendo o início do período de queda da capacidade do cérebro fica muito fácil ajudar nas pesquisas sobre medicamentos que possam ajudar a melhorar o envelhecimento cognitivo.

Arianespace prepara 13 lançamentos de foguetes para este ano

O consórcio espacial europeu Arianespace anunciou nesta quinta-feira que pretende fazer 13 lançamentos com os três modelos de foguetes que ofereceu aos seus clientes, o Ariane-5, o russo Soyuz e o italiano Vega.
Só do foguete Ariane-5, o Arianespace pretende utilizar sete unidades, entre os quais o que deve pôr em órbita o veículo ATV3 "Edoardo Amaldi" para o abastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS) em 9 de março, indicou o Arianespace em comunicado.
O programa do consórcio também prevê o lançamento de cinco foguetes Soyuz, três a partir da base na Guiana Francesa e dois de Baikonur, no Cazaquistão, com o consórcio Starsem.
O consórcio espacial europeu prepara ainda com a Agência Espacial Europeia (ESA) a primeira operação do pequeno Vega na Guiana Francesa com os satélites LARES, ALMASat-1 e vários microsatélites como carga.
No ano passado, o Arianespace teve faturamento de 985 milhões de euros e cumpriu a meta de alcançar "contas equilibradas" por meio dos cinco lançamentos do Ariane-5 em 2011, que puseram em órbita nove cargas úteis: oito satélites de telecomunicações e o ATV2 "Johannes Kepler", para abastecer a ISS.
Contando com a metade dos satélites de telecomunicações geoestacionários do mundo, o consórcio manteve a liderança no mercado de grandes foguetes.
No ano passado, foram feitos os dois primeiros lançamentos do Soyuz na Guiana Francesa, além de mais dois em Baikonur, com o Starsem.
O Arianespace assinou no ano passado dez contratos para lançamentos com Ariane-5 do total de 21 abertos à concorrência, e outro do Governo, além de fazer novo contrato para o lançamento do Soyuz do Centro Espacial da Guiana Francesa e dois em Vega.
Ao todo, o número de pedidos representa o volume recorde de 4,5 bilhões de euros, com 21 lançamentos pendentes do Ariane-5, 15 do Soyuz e os dois do Vega, o que representa mais de três anos de atividade.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Raro mineral detectado há anos na Lua é encontrado na Austrália

Um raro mineral, chamado tranquillityite, que havia sido detectado somente em mostras rochosas da Lua há mais de 40 anos, também foi encontrado na Austrália, confirmaram nesta quinta-feira fontes científicas. "É incrível que a tranquillityite exista há todo esse tempo em rochas na Terra e que tenham se passado 40 anos desde que foi encontrado na Lua para que fosse detectado aqui", disse Birger Rasmussen, líder da equipe da Universidade de Curtin, responsável pela descoberta.
O tranquillityite deve seu nome ao Mar da Tranquilidade, superfície da Lua onde o mineral raro foi encontrado pela primeira vez, junto à armalcolita e ao pyroxferroite, durante uma expedição da Apolo 11 em 1969.
Os dois últimos minerais foram encontrados na Terra nos anos seguintes à viagem à Lua, e há dois anos foi detectada a presença da tranquillityite em mostras rochosas da Austrália Ocidental. Após longas e exaustivas análises, os especialistas conseguiram confirmar que o mineral é igual ao achado na Lua, disse Rasmussen.
Segundo o geólogo, o desenvolvimento da ciência desde 1969, que agora permite moer as pedras em pós extremamente finos para submetê-los a testes isotópicos ou para determinar sua idade, foi muito útil para detectar a presença do mineral na Terra.
A descoberta ocorreu por acaso, quando o grupo de cientistas estava analisando detalhadamente fatias da rocha com um microscópio para detectar eléctrons. O raro mineral, de cor marrom avermelhada, tem forma de pequenas agulhas, que são mais finas que o diâmetro do cabelo humano, e sua composição tem principalmente sílica, zircônio, titânio e ferro.
A tranquillityite, que até agora foi encontrada em seis locais da Austrália Ocidental, está presente em rochas ígneas como a dolerita, conhecida popularmente como "granito negro", e é um dos últimos minerais que se cristalizam do magma.
"De fato, suspeitamos que o tranquillityite logo será reconhecida em rochas similares à dolerita no mundo todo", afirmou o cientista que publicou o descobrimento na revista científica Geology.
O tranquillityite, que aparece em quantidades minúsculas e não possui valor econômico, poderia ser útil para determinar a idade das rochas nas quais foram encontradas este mineral.

Museu faz série de retratos para 70 anos de Stephen Hawking

Imagem divulgada nesta quinta-feira mostra o físico britânico em seu escritório, na Universidade de Cambridge . Foto: Sarah Lee/London Science Museum/AFP


O Museu da Ciência, de Londres, prepara uma exposição em homenagem ao físico britânico Stephen Hawking, que completa 70 anos no próximo dia 8. A mostra, que inicia no final de janeiro, contará a história de Hawking e contará com retratos inéditos do teórico. Com informações das agências AFP e Reuters.
Hawking é diretor do Departamento de Matemática Aplicada e Teorias Físicas, fundador do centro de Cosmologia Teórica e ocupa a mesma cadeira que um dia foi de Isaac Newton na Universidade de Cambridge. Conhecido no meio teórico por seu trabalho sobre buracos negros, se aproximou do grande público com livros onde explica de maneira simples a física.
Uma série de homenagens foi preparada pelo aniversário do físico. A Universidade de Cambridge, por exemplo, organiza quatro dias de conferências sobre as áreas de estudo de Hawking e que culminam, no domingo, com um simpósio aberto ao público com a presença de nomes como Saul Perlmutter, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2011, além do próprio aniversariante.

Criador do Facebook passou virada do ano em Florianópolis

zuck

Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, passou a virada do Ano-Novo em Florianópolis, capital de Santa Catarina, segundo disse nesta quinta-feira (5) o jornal uruguaio El País. Ele esteve acompanhado da namorada, a chinesa Priscilla Chan.
O milionário de 27 anos, criador da maior rede social do mundo, passou o Natal no Vietnã, onde foi fotografado por agências de notícias junto de sua namorada. Depois, veio ao Brasil e agora se dirige ao Uruguai. 

No vizinho ao Brasil, outros sete amigos o esperam nas redondezas da cidade litorânea de Punta Del Este. 

Uma mansão de um empresário norte-americana foi alugada e adaptada ao gosto de Zuckerberg. Todos os móveis da casa foram removidos e peças novas foram compradas. 

Número da empresa
O Facebook é disparado a maior rede social da internet e seu site já conta com mais de 800 milhões de usuários no mundo. 

A empresa é avaliada atualmente em cerca de US$10 bilhões, algo próximo do valor da rede de fast food McDonalds e muito além de empresas como a Boeing ou a Alcoa, mas ainda distante de empresas como Apple (US$ 376 bilhões) e Google (US$ 209 bilhões ). 

A relação entre volume de negócios e capitalização deve ser bastante elevada, uma vez que as receitas anuais do Facebook estão estimadas em cerca de US$ 5 bilhões (contra US$ 36 bilhões do Google e US$ 108 bilhões da Apple).

Hawking: mulheres são o maior dos mistérios

De acordo com um dos maiores cientistas do mundo, elas são um mistério completo
Stephen Hawking diz que o grande mistério do universo é desvendar as mulheres / AFP

O cientista britânico Stephen Hawking afirmou à revista New Scientist que o maior mistério do mundo seria “as mulheres”. De acordo com um dos maiores cientistas do mundo, elas são um mistério completo. 

Hawking falou à publicação antes de celebrar seu 70º aniversário, que será celebrado no próximo domingo com um simpósio público. “O Estado do Universo” acontece no Centro para a Cosmologia Teórica de Cambridge. 

Arqueólogos acham vestígios de tesouro bizantino na Alemanha

Arqueólogo apresenta moeda de ouro descoberta na Alemanha. Foto: EFE


Arqueólogos apresentaram nesta quinta-feira oito moedas de ouro em Potsdam, na Alemanha. O achado ocorreu em Uckermark em novembro de 2011 e os cientistas acreditam que ele faz parte de um tesouro maior. As informações são da agência EFE e do governo do Estado de Brademburgo.
As moedas têm cerca de 4,4 g cada e seriam do século 6. "(Por meio desta cooperação com o governo de Brandemburgo) foi possível confirmar relatos de um grande tesouro de ouro bizantino em Biesenbrow", diz Felix Biermann, arqueólogo da Universidade de Goettingen, que participou da pesquisa.
Moedas de ouro já haviam sido encontradas na região no século 19, mas foram vendidas por agricultores, com exceção de quatro que foram adquiridas por um museu. Contudo, na época, os pesquisadores não conseguiram encontrar mais objetos bizantinos. Os arqueólogos investigaram a região, que teoricamente não deveria ter acampamentos durante o século 6, e descobriram os vestígios dos bizantinos na área. As moedas serão expostas em um museu local.

Zoo de Londres faz 'censo' para conhecer seus habitantes

Contagem de animais ajuda a monitorar programas de reprodução e intercâmbio de espécies. Foto: BBC Brasil



O zoológico de Londres está contando, um a um, os animais que habitam o local. O censo vai incluir desde pelicanos e galinhas, que são fáceis de contar, até insetos e águas-vivas.
A prática de contar animais sempre foi comum em zoológicos de todo o mundo. As iniciativas permitem que os administradores monitorem programas de reprodução animal e promovam o intercâmbio de espécies com zoológicos de outros países.

Stephen Hawking fala em entrevista sobre seu maior erro

Prestes a completar 70 anos (em 8 de janeiro), o físico britânico Stephen Hawking concedeu uma entrevista à revista New Scientist. Entre as declarações, o britânico disse qual considera seu maior engano na carreira e diz que a coisa sobre a qual mais pensa são as mulheres: "Elas são um completo mistério".
Questionado sobre qual foi o maior erro de sua carreira, Hawking diz que foi pensar que a informação é destruída pelos buracos negros, teoria que ele defendeu por décadas. Contudo, em 2004, baseado nos trabalhos matemáticos do teórico Juan Maldacena (chamados de correspondência AdS/CFT), ele passou a defender o contrário, que a informação pode - teoricamente - sair de um buraco negro através de perturbações quânticas no horizonte de eventos (o ponto a partir do qual não se pode mais escapar da atração de um buraco negro). A mudança de visão fez Hawking perder uma de suas muitas apostas com outros teóricos, dessa vez com John Preskill, feita uma década antes.
Questionado sobre qual descoberta pode revolucionar nosso conhecimento do universo, o britânico afirma que seria a descoberta de parceiros supersimétricos para as partículas conhecidas - que pode ocorrer no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês). A descoberta da supersimetria seria uma forte evidência da teoria-M (apoiada por Hawking), uma "teoria de tudo", buscada por físicos durante séculos (inclusive por Albert Einstein) e que uniria a gravidade com as demais forças conhecidas.

ESO divulga uma das mais nítidas imagens da nebulosa Ômega

A nova imagem da nebulosa Ômega, obtida pelo Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul é uma das imagens mais nítidas desta nebulosa . Foto: ESO/Divulgação
A nova imagem da nebulosa Ômega, obtida pelo Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul é uma das imagens mais nítidas desta nebulosa






O Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) divulgou a nova imagem da nebulosa Ômega, obtida pelo Very Large Telescope (VLT). Segundo o observatório astronômico, esta é uma das imagens mais nítidas desta nebulosa famosa captada a partir do solo. A imagem mostra as regiões centrais rosadas e esfumaçadas desta 'maternidade de estrelas' e revela com um detalhe extraordinário a paisagem cósmica composta por nuvens de gás, poeira e estrelas recém-nascidas.

O gás colorido e a poeira escura da nebulosa Ômega servem de matéria prima na criação da próxima geração de estrelas. Nesta região particular da nebulosa, as estrelas mais jovens - em tons branco-azulados - iluminam todo o conjunto. As zonas de poeira da nebulosa, semelhantes a brumas, contrastam visivelmente com o gás brilhante. As cores vermelhas dominantes têm origem no hidrogênio, que brilha sob a influência da intensa radiação ultravioleta emitida pelas estrelas quentes jovens.
A nebulosa Ômega tem muitos nomes, que dependem de quem a observou, quando e do que julgou ter visto. Entre esses nomes inclui-se: nebulosa do Cisne, nebulosa Cabeça de Cavalo e ainda nebulosa Lagosta. Este objeto foi também catalogado como Messier 17 (M17) e NGC 6618.
A nebulosa situa-se entre 5 mil e 6 mil anos-luz de distância na direção da constelação de Sagitário. Um alvo bastante popular entre os astrônomos, este campo de poeira e gás brilhante é uma das mais jovens e mais ativas maternidades estelares na Via Láctea, onde nascem estrelas de grande massa.
A imagem foi obtida com o instrumento chamado FORS (Focal Reducer and Spectrograph) montado no telescópio Antu, um dos quatro grandes telescópios que compõem o VLT. Para além do enorme tamanho do telescópio, o fato da atmosfera se ter mantido excepcionalmente estável durante as observações, apesar da existência de algumas nuvens, contribuiu de forma decisiva para a ótima nitidez da imagem, resultando por isso numa das melhores imagens desta região da nebulosa Ômega, obtida a partir do solo.

Vietnamita é operado para retirada de tumor de 90 kg da perna

Na imagem, Nguyen Duy Hai, um vietnamita com tumor de 90 kg na perna direita. Foto: EFE


Um vietnamita com tumor de 90 kg na perna direita entrou nesta quinta-feira na sala de cirurgia para tentar readquirir a normalidade perdida há quatro anos em uma operação com 50% de possibilidades de sucesso.
Os médicos amputaram parte da perna direita do jovem quando ele tinha 17 anos, mas o tumor continuou crescendo até deixá-lo sem possibilidade de locomoção.
McKay McKinnon, cirurgião americano que fez procedimentos similares em outros países dirige a equipe médica que começou a intervenção nesta manhã no France - Vietnam Hospital de Ho Chi Minh (antiga Saigon).
"É normal que as pessoas temam a morte e eu não sou exceção. Mas quando me soube que o médico McKinnon havia retornado ao Vietnã para dar-me uma nova vida, eu recuperei as esperanças", declarou o paciente, Nguyen Duy Hai, 31 anos, ao TuoiTreNews antes da operação.

Pele de circuncisão salva visão de bebê que nasceu sem pálpebras

Depois da operação, os olhos do bebê ficaram fechados por três semanas. Após a retirada dos curativos, a equipe constatou que o bebê enxerga .... Foto: BBC Brasil


Um enxerto da pele do prepúcio no lugar das pálpebras, realizado no hospital Kaplan, próximo a Tel Aviv, em Israel, salvou a visão de um bebê que havia nascido com um grave defeito nos olhos e corria o risco de ficar cego.
A ideia foi do cirurgião Asher Milstein, especialista em ocuplástica, que decidiu realizar a operação exatamente oito dias após o nascimento do bebê, na data em que, segundo a tradição judaica, é feita a circuncisão em crianças do sexo masculino.
Como o bebê, que havia nascido sem pálpebras, é de família religiosa, era importante respeitar a tradição. Em entrevista à BBC Brasil, Milstein explicou que a pele do prepúcio tem textura e espessura "idênticas" à pele das pálpebras e que ambas são as peles mais finas do corpo humano.
"A pele do prepúcio também é altamente adequada para esse tipo de operação, pois cresce de forma compatível ao crescimento do corpo", acrescentou o cirurgião. O bebê, cujo nome não foi divulgado, nasceu no hospital Kaplan há cerca de 5 semanas.
Ideia inédita
A ausência de pálpebras, considerada um defeito raro, faz com que seja impossível fechar os olhos, provocando o ressecamento da córnea, que por sua vez leva à cegueira. Milstein diz que, inicialmente, considerou a possibilidade de enxertar pele retirada da região que fica atrás das orelhas - técnica geralmente utilizada em casos semelhantes. No entanto, o bebê também apresentou um problema na região do nariz e pode vir a necessitar daquela porção de pele e de cartilagem para uma cirurgia futura.
Por isso, o médico tomou a decisão inédita de utilizar a pele do prepúcio do próprio bebê, que seria retirada na circuncisão. Milstein disse que consultou a literatura médica e encontrou apenas um precedente de utilização da pele do prepúcio para uma operação na região dos olhos, que ocorreu no Egito, há vários anos.
No Egito, que é um país muçulmano, a circuncisão também é praticada, mas, de acordo com a tradição islâmica, a intervenção pode ser feita até os 10 anos de idade. Depois da operação, os olhos do bebê israelense ficaram fechados por três semanas. Após a retirada dos curativos, a equipe médica constatou que o bebê enxerga normalmente.
O médico afirmou que o sucesso da operação demonstra que a pele do prepúcio pode ser utilizada amplamente na área da cirurgia plástica, "inclusive em casos de homens adultos".
Segundo Milstein, a manutenção do prepúcio "não é necessária" e em casos de ferimento, essa pele pode ser utilizada para cobrir áreas danificadas no corpo do próprio paciente. "Devemos ter a mente aberta para ideias novas", disse.

Cientistas desenvolvem 'fígado virtual' para auxiliar operações

Com fundos da União Europeia (UE), uma equipe de cientistas e cirurgiões europeus desenvolveu um "fígado virtual" para ajudar a planejar melhor as operações para retirada de tumores, o qual também poderá aumentar as probabilidades de recuperação dos pacientes.
Intitulado PASSPORT (Simulação específica de pacientes e formação pré-operatória realista), o projeto foi desenvolvido para auxiliar os cirurgiões com um serviço que os ajudam a decidir se devem ou não operar um paciente, informou nesta quinta-feira a Comissão Europeia (CE).
Com o uso do "fígado virtual", os cirurgiões poderão ver exatamente onde se encontra o tumor no paciente e, principalmente, como deverão intervir para extirpá-lo com sucesso.
Segundo a Comissão Europeia, menos de 50% dos pacientes afetados são submetidos a uma operação cirúrgica, um índice considerado baixo. No entanto, essa porcentagem poderia aumentar com a chegada do "fígado virtual".
Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia e comissária europeia da Agenda Digital, afirmou que a tecnologia desenvolvida pelo projeto PASSPORT "é um marco que melhorará o diagnóstico, as intervenções cirúrgicas e permitirá salvar vidas".
O projeto, que começou em junho de 2008 e foi concluído somente no último mês de dezembro, teve um custo total de 5,5 milhões de euros, dos quais 3,6 milhões vieram de fundos da UE.