segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Astrônomos fazem o maior mapa de matéria escura do universo

Astrônomos internacionais anunciaram, nesta segunda-feira, a criação do maior mapa da matéria escura feito até o momento no universo, usando dados de telescópios potentes que escanearam 10 milhões de galáxias.Acredita-se que a misteriosa substância represente aproximadamente um quarto do universo, mas sua natureza é um enigma, pois só pode ser detectada de forma indireta através da atração gravitacional que exerce sobre a matéria visível.
Para fazer o novo mapa, os astrônomos estudaram como a luz emitida pelas galáxias se distorce ao passar por grandes grupos de matéria escura em seu trajeto para a Terra. O resultado é uma "intrincada rede cósmica de matéria escura e galáxias que se estende por mais de um bilhão de anos-luz", informaram os astrônomos da Universidade da Columbia Britânica (UBC), no Canadá, e da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
"É fascinante poder 'ver' a matéria escura usando a distorção espaço-tempo", disse Ludovic Van Waerbeke, da UBC, que trabalhou no projeto, conhecido como o Estudo da Lente Telescópio Canadá-França-Havaí (CFHTLenS, na sigla em inglês). "Isto nos dá um acesso privilegiado a esta misteriosa massa no universo que não pode ser observada de outra forma", acrescentou.
Sua aparência é a de "uma rede de gigantesca densidade (branca) e regiões vazias (escuras), onde as áreas brancas maiores são do tamanho de várias luas terrestres no céu", destacou o estudo, apresentado na reunião anual da American Astronomical Society em Austin, Texas, sul dos Estados Unidos.
Os dados são resultantes de cinco anos de imagens captadas pela câmera instalada em um poderoso telescópio no Havaí. O mapa inclui galáxias que, no geral, estavam a 6 bilhões de anos-luz de distância, e capta luz emitida quando o universo tinha 6 bilhões de anos (aproximadamente a metade de sua idade atual).
As tentativas anteriores de fazer um mapa da matéria escura dependeram, em grande medida, das simulações por computador. Os astrônomos envolvidos no projeto disseram que nos próximos três anos esperam elaborar um mapa com área 10 vezes maior à realizada atualmente.

Emissões de CO2 atrasarão nova Era Glacial, diz estudo

As emissões de dióxido de carbono (CO2) causadas pela ação do homem terão o efeito de retardar o início da próxima Era Glacial, segundo afirma um novo estudo. A última Era Glacial terminou há 11,5 mil anos, e os cientistas vêm há tempos discutindo quando a próxima começaria.
Os pesquisadores usaram dados da órbita da Terra e outros itens para encontrar o período interglacial mais parecido com o atual. Em um artigo publicado na revista Nature Geoscience, eles afirmam que a próxima Era Glacial poderia começar em 1,5 mil anos, mas que isso não acontecerá por causa do alto nível de emissões.
"Nos atuais níveis de CO2, mesmo se as emissões parassem agora teríamos provavelmente uma longa duração interglacial determinada por quaisquer processos de longo prazo que poderiam começar para reduzir o CO2 atmosférico", afirma o coordenador da pesquisa, Luke Skinner, da Universidade de Cambridge.
O grupo de Skinner, que também inclui cientistas da University College London, da Universidade da Flórida e da Universidade de Bergen, na Noruega, calcula que a concentração atmosférica de CO2 deveria cair para menos de 240 partes por milhão (ppm) para que a glaciação pudesse começar. O atual nível de CO2 é de cerca de 390 ppm, e outros grupos de pesquisadores já mostraram que mesmo se as emissões parassem instantaneamente, as concentrações se manteriam elevadas por pelo menos mil anos, o suficiente para que o calor armazenado nos oceanos provocasse potencialmente um significativo derretimento do gelo polar e o aumento do nível do mar.
Ciclos de Milankovitch
A causa básica das transições entre as Eras Glaciais e os períodos interglaciais são as variações sutis na órbita terrestre conhecidas como ciclos de Milankovitch, descritas pelo cientista sérvio Milutin Milankovitch há quase um século. Essas variações ocorrem em períodos de dezenas de milhares de anos.
A maneira precisa como elas mudam o clima da Terra entre os períodos interglaciais, mais quentes, e as Eras Glaciais a cada 100 mil anos mais ou menos não é conhecida. Por si só, as variações não são capazes de levar a uma diferença de temperaturas de cerca de 10ºC entre a Era Glacial e o período interglacial.
As pequenas variações iniciais são amplificadas por vários fatores incluindo o lançamento de dióxido de carbono na atmosfera quando o aquecimento começa e a absorção do gás pelos oceanos quando o gelo se forma novamente. Também está claro que cada transição é diferente das anteriores, porque a combinação que precisa de fatores orbitais não se repete exatamente - apesar de condições muito semelhantes acontecerem a cada 400 mil anos.
As diferenças de um ciclo para o seguinte seriam a razão de os períodos interglaciais não terem sempre a mesma duração. Usando análises de dados da órbita terrestre, além de amostras de rochas retiradas do fundo do oceano, a equipe de Skinner identificou um episódio chamado Estágio Marinho Isótopo 19c (ou MIS19c), há 780 mil anos, que mais se parece com o presente.
Segundo eles, a transição para a Era Glacial foi sinalizada por um período quando o esfriamento e o aquecimento se revezaram entre os hemisférios norte e sul, provocados por interrupções na circulação global de correntes oceânicas. Se a analogia ao MIS19c for correta, essa transição deveria começar em 1,5 mil anos, segundo os pesquisadores, se as concentrações de CO2 estivessem em níveis "naturais".
Endosso
As conclusões mais amplas dos pesquisadores foram endossadas por Lawrence Mysak, professor-emérito de ciências atmosféricas e oceânicas na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, que também investigou as transições entre as Eras Glaciais e os períodos interglaciais. "A questão-chave é que eles estão olhando para 800 mil anos atrás, o que é duas vezes o ciclo de 400 mil anos, então eles estão olhando para o período correto em termos do que poderia ocorrer sob a ausência de forças antropogênicas", disse ele à BBC.
Mas ele sugeriu que o nível de 240 ppm de CO2 para provocar a próxima glaciação poderia ser muito baixo. Outros estudos sugeriram que esse nível poderia ser 20 ou até 30 ppm mais alto. "Mas, em todo caso, o problema é como chegamos a 240, 250 ou o que quer que seja? A absorção pelos oceanos leva milhares ou dezenas de milhares de anos, então não acho que seja realista pensar que veremos a próxima glaciação na escala natural", explicou Mysak.
Oposição
Grupos que se opõem à limitação das emissões de gases do efeito estufa já citam o estudo como uma razão para apoiar a manutenção das emissões humanas de CO2. O grupo britânico Global Warming Policy Foundation, por exemplo, cita um ensaio de 1999 dos astrônomos Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe, que argumentavam: "a volta das condições da Era Glacial deixariam grandes frações das maiores áreas produtoras de alimentos do mundo inoperantes, e levaria inevitavelmente à extinção da maioria da população humana presente".
"Precisamos buscar um efeito estufa sustentado para manter o presente clima mundial vantajoso. Isso implica a habilidade de injetar efetivamente gases do efeito estufa na atmosfera, o oposto do que os ambientalistas estão erroneamente defendendo", dizem.
Luke Skinner e sua equipe já antecipavam esse tipo de reação. "É uma discussão filosófica interessante. Poderíamos estar melhor em um mundo mais quente do que em uma glaciação? Provavelmente sim", observa ele. "Mas estaríamos perdendo o ponto central da discussão, porque a direção em que estamos indo não é manter nosso clima quente atual, mas um aquecimento ainda maior, e adicionar CO2 a um clima quente é muito diferente de adicionar a um clima frio", diz. "O ritmo de mudança com o CO2 é basicamente sem precedentes, e há enormes consequências se não pudemos lidar com isso", afirma.

Estrelas podem ter acabado com a vida na Terra há 440 mi de anos

Um estudo publicado na revista New Scientist por pesquisadores de cientistas da Universidade do Kansas sugeriu em 2003 que um bombardeio de raios gama estelares teria sido o responsável pela extinção de grande parte da vida terrestre há 440 milhões de anos. Contudo, até então, poucas provas existiam sobre este fato.
Mas agora pesquisadores do Instituto Mark Planck de Física Nuclear, da Alemanha, estão confirmando o que foi dito pelos americanos. Segundo eles, o bombardeio realmente ocorreu na época em que os americanos afirmaram em função de uma grande explosão de muitas estrelas em um determinado espaço - talvez pela fusão ou impacto entre várias delas.
O resultado foi a emanação de muitos raios gama em direção à Terra. Esses raios gama estelares teriam causado a morte de muitos seres vivo da época.

Leia a notícia completa no Tecmundo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Stephen Hawking não comparece a simpósio pelos seus 70 anos

O astrofísico britânico Stephen Hawking não compareceu, por motivos de saúde, ao simpósio organizado neste domingo, em Cambridge, pelos seus 70 anos.
"Stephen não se sentia muito bem. Saiu do hospital na sexta-feira", declarou o professor Leszek Borysiewicz, vice-presidente da universidade inglesa, pouco antes de começar o simpósio, com a participação de numerosos cientistas.
O astrofísico, há quase 50 anos afetado por uma doença neurodegenerativa que o mantém paralisado em uma cadeira de rodas e o obriga a se comunicar por meio de um computador, poderá acompanhar a reunião sobre "O estado do Universo" graças a uma transmissão pela internet.
Em uma mensagem gravada anteriormente, Hawking destacou "a glória de estar vivo e realizando pesquisas", defendeu a "continuação das viagens ao espaço pelo futuro da Humanidade" e disse não acreditar que "sobrevivamos outros mil anos sem poder escapar de nosso frágil planeta".
No dia de seu aniversário de 70 anos, o Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge, dirigido por Hawking, organizou um ato público para o qual as entradas se esgotaram semanas antes.
Este simpósio sobre "O estado do Universo" foi precedido por uma conferência em que cientistas de prestígio mundial analisaram a situação atual em matéria de buracos negros, cosmologia e física fundamental, temas em que os trabalhos de Hawking se concentram.
Nascido em Oxford, na Inglaterra, dia 8 de janeiro de 1942, no tricentenário da morte de Galileu, Hawking sempre acreditou que a ciência era seu destino e, aconselhado pelos médicos, concentrou todas as suas energias no estudo da cosmologia.
"Quando Stephen já não podia usar suas mãos e manipular equações no papel, compensou isso treinando a manipulação de formas complexas em sua mente a grandes velocidades. Essa capacidade permitiu que ele encontrasse soluções para difíceis problemas da física que ninguém mais poderia resolver e, provavelmente, nem ele mesmo seria capaz sem essa nova habilidade", disse o físico teórico americano Kip Thorne, um de seus colaboradores.
Durante sua carreira, Hawking recebeu inúmeros reconhecimentos e ocupou durante 30 anos a Cátedra Lucasiana de Matemáticas de Cambridge. Em sua vida privada, Hawking casou duas vezes e tem três filhos.

Segundo médicos, Hawking viveria poucos anos; hoje ele faz 70

Hawking experimenta a sensação de gravidade zero durante voo da Nasa, em 2007. Foto: AP
Hawking experimenta a sensação de gravidade zero durante voo da Nasa, em 2007



MATHEUS PESSEL
Aos 17 anos, então na Universidade de Oxford, Stephen Hawking começou pela primeira vez a se interessar por esportes e se aventurou no remo. Após três anos, ele começou a se sentir mais "atrapalhado" e caía facilmente - aparentemente sem razão. Aos 21 anos, quando já era pesquisador na Universidade de Cambridge, seu pai decidiu leva-lo ao médico da família, que, por sua vez, o encaminhou a um especialista. Hawking passou por exames em um hospital e os médicos disseram que seu caso era incomum, sem cura e que tenderia a piorar com o tempo. Era a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença que tirou ao longo dos anos seus movimentos.
O físico ganhou prestígio no mundo acadêmico devido a suas pesquisas sobre o Big Bang (que deram suporte à teoria) e, principalmente, suas teorias sobre os buracos negros - que explicam entre outras coisas, como esses fenômenos emitem radiação (chamada hoje de radiação Hawking). Ao grande público, Hawking apareceu a partir de livros que explicam as principais teorias físicas e participações em séries de TV. Neste domingo, ele completa 70 anos de idade.
Ao receber o diagnóstico da doença, Hawking ouviu dos médicos que ele teria apenas dois anos de vida pela frente. O físico disse que foi um choque. Ele não teria tempo sequer de terminar sua pesquisa de doutorado. O máximo que poderia fazer para combater a doença era tomar algumas vitaminas.
Em seu site pessoal, Hawking relata o que pensava na época: "Como pôde isso acontecer comigo? Como eu posso terminar assim?". Mas foi ainda no hospital que ele mudou. "No entanto, enquanto eu estava no hospital, eu tinha visto um menino que eu conhecia vagamente morrer de leucemia, na cama ao lado da minha. Não foi uma boa visão. Claramente, havia pessoas que estavam em situação pior do que a minha. Pelo menos, a minha condição não me fazia sentir doente. Sempre que me sinto inclinado a sentir pena de mim mesmo, eu me lembro daquele menino", diz. Hawking diz que sua vida antes da doença era muito chata. Mas depois que foi diagnosticado, decidiu fazer algo bom antes de morrer. "Mas eu não morri. Na verdade, apesar de haver uma nuvem escondendo o meu futuro, eu descobri, para a minha surpresa, que eu estava gostando da vida mais do que antes. Eu fazia progresso na minha pesquisa, e eu fiquei noivo de uma garota chamada Jane Wilde". Hawking se separou e casou novamente. Ele tem três filhos e três netos.
A doença
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) se origina de uma predisposição genética, como Parkinson ou Alzheimer, e afeta a medula espinhal - o resultado é a falta de força. "É um problema que afeta os movimentos, a força. E os músculos começam a atrofiar, inclusive os músculos que precisamos para respirar (...) chega um momento que o pulmão não inspira mais, e é necessária respiração artificial", diz Pedro Schestatsky, professor da pós-graduação de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisador de distúrbios do movimento. Os pacientes, afirma o professor, morrem por insuficiência respiratória. O mal é incurável.
"É cada vez mais comum (pacientes que sobrevivem mais tempo à doença) porque houve muito desenvolvimento de aparatos respiratórios. Houve desenvolvimento também de medicamentos que retardam a doença. Mas (quando Hawking foi diagnosticado) não havia remédio e não tinha a respiração (mecânica)", diz Schestatsky.
No caso de Hawking, afirma o professor, surpreende ainda o fato de ele ter desenvolvido a doença muito jovem, com 21 anos - a maior parte dos pacientes apresenta sintomas após os 50 anos. O médico afirma que o britânico tinha uma ELA de lenta evolução, o que o ajudou a sobreviver.
Enfrentando a doença
O físico diz que até 1974 ele conseguiu se alimentar e sair da cama sozinho, mas a coisa começou a piorar. Em 1985, ele sofreu com uma pneumonia que o levou a uma traqueostomia e à perda da fala. Sua condição piorou e começou a receber ajuda de enfermeiras 24 horas por dia, graças ao apoio de fundações que conheciam seu caso.
Hawking conta que antes da operação sua fala estava ficando pior e somente as pessoas mais próximas ainda conseguiam entendê-lo. Ele produzia artigos ditando para sua secretária e proferia palestras com a ajuda de um "tradutor" que repetia suas palavras mais claramente.
Uma nova voz
Foi um especialista em computadores da Califórnia, Walt Woltosz, quem levou a solução ao britânico. Woltosz enviou à Inglaterra um programa de computador que ele havia criado. O software sintetiza voz a partir de palavras selecionadas em uma tela, simplesmente piscando o olho. David Mason, de Cambridge, adaptou o sistema a um computador portátil acoplado à cadeira de rodas de Hawking.
O pesquisador diz que a mudança o permitiu falar melhor do que antes da operação. "Eu posso controlar até 15 palavras por minuto. Eu posso falar o que escrevi, ou salvar em disco. Posso, então, imprimir, ou usar o que ficou para trás e falá-lo (o texto) frase por frase. Usando este sistema, eu escrevi um livro e dezenas de artigos científicos. Eu também tenho dado muitas palestras científicas e populares. Todas elas foram bem recebidas."
Fama
Hawking recebeu prêmios e medalhas durante toda a carreira, que começou com defesas da teoria do Big Bang e continuou com estudos sobre os buracos negros. Entre 1979 e 2009, ocupou a cadeira lucasiana - que já foi de Isaac Newton e de Paul Dirac - de Cambridge (a tradição de Cambridge manda que o ocupante deixe esse posto antes dos 67 anos). Ele continua ativo nas pesquisas no Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica e é diretor de pesquisa do Centro de Cosmologia Teórica, criado pelo próprio Hawking.
Em 1988, Hawking lançou seu primeiro livro para o público em geral, em parceiro com o pesquisador do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) Leonard Mlodinow: Uma breve história do tempo. O sucesso foi enorme e levou a uma série de livros populares escritos por Hawking, alguns em parceria com Mlodinow.
Hoje, Hawking certamente é o cientista mais famoso do planeta. Um documentário do Channel 4 mostra pilhas de cartas que ele recebe de fãs, muitas com teorias que vão de viagens no tempo a invasões alienígenas. Em um programa da também britânica BBC, o teórico é chamado de personalidade global. "Ele é uma das pessoas mais famosas do planeta. Talvez o único verdadeiro cientista celebridade", diz a TV, enquanto mostra ruas cheias durante uma passagem do físico em uma universidade espanhola.
Hawking se tornou tão pop que apareceu em seriados de TV - como Os Simpsons e Star Trek: The Next Generation (Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, no Brasil).
"Ele é um especialista que sabe comunicar, uma coisa que outros especialistas não conseguem ou não se interessam - em saber comunicar. Mesmo que não seja algo deliberado", diz Lígia Campos de Cerqueira Lana, pesquisadora de doutorado sanduíche na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
"Ele sabe o que fala. E ele também tem talento. É uma diferença que tem com esses personagens públicos que aparecem e somem. (...) Eles são descartáveis, é como se eles não tivessem talento suficiente para permanecer. O Stephen Hawking está ali porque ele tem talento", afirma a pesquisadora.
"Uma terceira coisa (que explica sua fama): ele é um modelo de superação. Apesar de estar imobilizado, de ter uma série de dificuldades, ele supera isso e consegue continuar trabalhando. Uma das coisas que buscamos no personagem público é o reconhecimento (...) é como se quando a gente olhasse para uma figura pública, a gente buscasse alguns modelos que sejam conhecíveis para nós como sendo algo potencialmente bons", diz Lígia, que pesquisa como as celebridades ascendem à fama.
"O Stephen Hawking, do jeito dele, não é só como uma bunda grande, só uma voz bonita. Ele está numa cadeira de rodas, não consegue falar direito, mas tem uma presença midiática", afirma.
Para Lígia, a existência de um cientista celebridade é muito importante, pois abre portas para que outros pesquisadores levem a ciência ao grande público. "O sucesso de um especialista é muito positivo. Os cientistas não podem ter medo de falar com as pessoas. A ciência tem que voltar para o senso comum, não pode ficar na torre de marfim dos laboratórios", diz a pesquisadora.

Stephen Hawking completa 70 anos dedicados ao universo

O cientista britânico Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do Tempoque passou a vida tentando desvendar os mistérios do universo, completa neste domingo 70 anos sem ter perdido o entusiasmo pelo cosmos.
Apesar de em 2009 ter se retirado da Cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge, da qual era titular, da mesma forma que Isaac Newton foi um dia, Hawking mantém contato com o mundo científico e amanhã falará perante seus colegas desse centro de estudos sobre "O estado do universo".
Nascido em Oxford, no sul da Inglaterra, no dia 8 de janeiro de 1942, Hawking é um exemplo do triunfo frente à adversidade já que em sua juventude foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, uma doença neurodegenerativa progressiva que lhe impede de se movimentar, e fala com a ajuda de um sintetizador de voz.
Ao longo do tempo, Hawking foi perdendo o movimento de suas extremidades e da musculatura, inclusive a força do pescoço para manter-se com a cabeça erguida.
Por ocasião do aniversário de Hawking, o professor Martin Rees, astrônomo do Trinity College de Cambridge, disse que quando conheceu o cientista os dois eram estudantes e pensava que seu companheiro não viveria muito mais por conta de sua doença.
"Foi incrível, chegou aos 70 anos, se transformou sem dúvida no cientista mais famoso do mundo, aclamado por pesquisas brilhantes, por seus livros mais vendidos e, principalmente, por seu incrível triunfo frente à adversidade", afirmou Rees aos meios de comunicação britânicos.
Além de ser considerado um dos cientistas mais renomados, Hawking é tão famoso como qualquer estrela da música ou do cinema, pois participou de um episódio da série de televisão Star Trek e emprestou sua voz para um comercial da empresa de telecomunicações BT.
Mas é famoso principalmente por ter mostrado, ao lado de seu colega Roger Penrose, que a Teoria da Relatividade de Albert Einstein implica que o espaço e o tempo hão de ter um princípio, o chamado "Big Bang", e um final dentro dos buracos negros.
Hawking também criou polêmica no campo religioso por acreditar que a ideia do paraíso e da vida depois da morte é um "conto de fadas" criado por gente que tem medo da morte.
Em declarações dadas no ano passado, o cientista enfatizou sua rejeição às crenças religiosas e considerou que não existe nada depois do momento que o cérebro para de funcionar.
"Eu considero o cérebro um computador que deixará de funcionar quando falharem suas peças. Não há paraíso ou vida depois da morte para os computadores que param de funcionar, esse é um conto de fadas de gente que tem medo da escuridão", disse o cientista de Cambridge.
Além disso, Hawking afirmou várias vezes que não tem medo da morte. "Vivi com a perspectiva de uma morte prematura durante os últimos anos. Não tenho medo de morrer, mas também não tenho pressa de morrer. Quero fazer muita coisa antes", declarou.
Também nestes dias voltou a ser notícia ao revelar em entrevista à revista New Scientist que as mulheres são "um completo mistério" ao qual dedica a maior parte de seus pensamentos.
Hawking foi agraciado com a Ordem do Império Britânico em 1982 e com o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia em 1989, além de outras distinções que lhe foram concedidas ao longo dos anos.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Pesquisadores desenvolvem formigas 'supersoldados'

Tratamentos hormonais durante um período específico do desenvolvimento de larvas transforma formigas em supersoldados . Foto: Alex Wild /BBC Brasil


Formigas podem ser programadas com tratamentos hormonais para se transformarem em "supersoldados", indicam pesquisas feitas por uma equipe internacional de cientistas, que creem que as descobertas podem dar novos rumos para os estudos da evolução. Todas as colônias de formigas são feitas de membros de diversas "castas", incluindo soldados e operários. O que os pesquisadores descobriram é que é possível "convencer" as larvas de formigas a, quando crescerem, se converterem em parte de uma rara casta de supersoldados.
O estudo, publicado na revista Science e liderado pelo pesquisador Ehab Abouheif, da Universidade McGill (Canadá), descobriu que tratamentos hormonais durante um período específico do desenvolvimento dessas larvas resultam em formigas supersoldados gigantes. Os cientistas conseguiram esse resultado em duas espécies de formigas que naturalmente não têm a casta de supersoldados como parte de sua colônia.
Proteger as colônias
Abouheif e sua equipe estudaram as formigas Pheidole, um grande grupo de mais de mil espécies correlatas. Desses grupos, há apenas oito que têm entre seus membros os chamados supersoldados, que ajudam a proteger a colônia usando suas enormes cabeças para bloquear a entrada de invasores.
A ideia de tentar "programar" formigas em desenvolvimento para se tornarem grandes soldados nasceu quando Abouheif percebeu que outra espécie comum de Pheidole, ainda que não tivesse supersoldados entre seus membros, possuía integrantes dotados de cabeças estranhamente grandes.
"Estávamos coletando (formigas) de Long Island, em Nova York, e percebemos algumas com uma aparência monstruosa", disse o cientista. Essas formigas de aparência mutante se assemelhavam a uma casta rara de supersoldados de uma espécie correlata. Por conta disso, os cientistas se dispuseram a descobrir o que fez com que ganhassem tal forma.
Abouheif explica que, quando uma formiga rainha bota ovos, cada um deles pode se desenvolver em uma casta diferente, dependendo das condições de temperatura e alimentação a que são submetidos. A chave para "transformá-los" em uma casta específica depende, em grande parte, de um componente químico dos ovos, o chamado hormônio juvenil.
"Sendo assim, se você trata qualquer espécie no momento certo de seu desenvolvimento, com apenas um hormônio, pode induzir o desenvolvimento de uma supersoldado", diz o cientista.
Forma ancestral
Para ele, "o fato de que se possa induzir isso em todas essas espécies diferentes (que não têm naturalmente a casta de supersoldados) significa que um ancestral comum de todas essas espécies tinha (supersoldados)". Abouheif diz que a descoberta pode ter amplas implicações na forma como os cientistas veem e estudam o processo evolutivo.
Para ele, destravar características evolutivas ancestrais pode ajudar no desenvolvimento de plantas com maior valor nutricional e até mesmo encontrar mecanismos que ajudem no combate de doenças. "Quem sabe o crescimento de um câncer seja a liberação de algum potencial ancestral", questionou Abouheif. "Se conseguirmos descobrir isso, talvez possamos revertê-lo."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A partir dos 45 anos, capacidade do cérebro apresenta queda

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) francês e da University College de Londres, a capacidade cognitiva do cérebro começa a diminuir a partir dos 45 anos.


De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) francês e da University College de Londres, a capacidade cognitiva do cérebro começa a diminuir a partir dos 45 anos.
O estudo, com duração de 10 anos, foi realizado com 5198 homens e 2192 mulheres, de idades entre 45 e 70 anos. Neste período, os pacientes tiveram total acompanhamento médico e também exames individuais.
Como resultado, os pesquisadores concluíram que o raciocínio dos homens teve uma queda de rendimento de 3,6% entre 45 e 49 anos e, aqueles com idade entre 65 e 70 anos a queda foi mais expressiva, ficou em 9,6%. As mulheres, por sua vez, obtiveram o mesmo desempenho que o sexo oposto na primeira faixa etária, já entre 65 e 70 anos, foi registrado uma queda da capacidade do cérebro em 7,4%.
O Inserm disse que essa pesquisa foi muito importante, pois sabendo o início do período de queda da capacidade do cérebro fica muito fácil ajudar nas pesquisas sobre medicamentos que possam ajudar a melhorar o envelhecimento cognitivo.

Arianespace prepara 13 lançamentos de foguetes para este ano

O consórcio espacial europeu Arianespace anunciou nesta quinta-feira que pretende fazer 13 lançamentos com os três modelos de foguetes que ofereceu aos seus clientes, o Ariane-5, o russo Soyuz e o italiano Vega.
Só do foguete Ariane-5, o Arianespace pretende utilizar sete unidades, entre os quais o que deve pôr em órbita o veículo ATV3 "Edoardo Amaldi" para o abastecimento da Estação Espacial Internacional (ISS) em 9 de março, indicou o Arianespace em comunicado.
O programa do consórcio também prevê o lançamento de cinco foguetes Soyuz, três a partir da base na Guiana Francesa e dois de Baikonur, no Cazaquistão, com o consórcio Starsem.
O consórcio espacial europeu prepara ainda com a Agência Espacial Europeia (ESA) a primeira operação do pequeno Vega na Guiana Francesa com os satélites LARES, ALMASat-1 e vários microsatélites como carga.
No ano passado, o Arianespace teve faturamento de 985 milhões de euros e cumpriu a meta de alcançar "contas equilibradas" por meio dos cinco lançamentos do Ariane-5 em 2011, que puseram em órbita nove cargas úteis: oito satélites de telecomunicações e o ATV2 "Johannes Kepler", para abastecer a ISS.
Contando com a metade dos satélites de telecomunicações geoestacionários do mundo, o consórcio manteve a liderança no mercado de grandes foguetes.
No ano passado, foram feitos os dois primeiros lançamentos do Soyuz na Guiana Francesa, além de mais dois em Baikonur, com o Starsem.
O Arianespace assinou no ano passado dez contratos para lançamentos com Ariane-5 do total de 21 abertos à concorrência, e outro do Governo, além de fazer novo contrato para o lançamento do Soyuz do Centro Espacial da Guiana Francesa e dois em Vega.
Ao todo, o número de pedidos representa o volume recorde de 4,5 bilhões de euros, com 21 lançamentos pendentes do Ariane-5, 15 do Soyuz e os dois do Vega, o que representa mais de três anos de atividade.